Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Frank Lloyd Wright, Taliesin

Frank Lloyd Wright, Taliesin

 

Querido Frank, no original Loving Frank, é um romance histórico. O primeiro da sua autora, Nancy Horan ao qual diz ter dedicado sete anos da sua vida.

Este livro baseia-se na relação de Frank Lloyd Wright e Mamah Borthwich Cheney; o famoso arquitecto americano do século XX e a intelectual, defensora dos direitos da mulher, e também tradutora de Ellen Key, respectivamente. É um livro de factos e ficção.

Ainda que seja a partir da perspectiva de Mamah Cheney que  entramos na história da luta,  sua e de Frank, pela afirmação da individualidade e da personalidade, contra a Opinião e a contingência é, todavia, na perspectiva de Frank que temos as reflecções mais contundentes: Isso nunca poderá ser perdoado num mundo de homens. Uma mulher continua a ser uma propriedade.

A sua relação nunca foi completamente aceite pela sociedade de 1900 e as suas vidas foram, até ao fim, cruelmente devastadas nos jornais da época.   Os jornais tornam-se, por conseguinte, uma fonte parcial para documentar uma personalidade complexa como a de Mamah Cheney, tanto que a autora chega a lamentar, no posfácio, a inexistência de cartas que, por certo, se tornariam fontes mais fidedignas ao serviço da ficção. 

Pelo olhar de Mamah somos introduzidos no processo de criação de Frank, nos altos e baixos da sua genialidade, na construção de Taleisin, na construção de uma vida fundada numa «verdade» fundamental - Só se vive uma vez neste mundo. Citação de Goethe.

A vida contudo é feita de ironias intangíveis. Quanto tudo se aconchega, surge a devastação num  fim imprevisível, a provar que a realidade,  muitas vezes,  supera em terror a ficção...

Frank:  Mamah e eu tivemos os nossos conflitos, as nossas diferenças, os nossos momentos de receio enciumado - nada disto escasseia em qualquer relação humana de carácter íntimo - mas serviram apenas para nos unirmos ainda mais fortes. Sentíamo-nos mais do que meramente felizes, mesmo quando momentaneamente infelizes...

A alma dela ingressou em mim e nunca se perderá.

 


tags:

publicado por Mnemosine às 21:48 | link do post | comentar

mais sobre mim
Abril 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
26
27
28
29
30


posts recentes

Booklovers

Versos, versos, versos,

Fernando Pessoa - Como a ...

Poema à boca fechada

Prelúdio de Natal

Íntima distância

Alma

Dom Mario Vargas Llosa

Jorge Luís Borges: Alguém...

Nona hora

links
arquivos

Abril 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

tags

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds