Sábado, 22 de Novembro de 2008

- Por vezes não consigo encontrar-me nesta multidão. - dizia a pequena formiga para a sua amiga cigarra.

- Perdes o filão das tuas companheiras, é isso que queres dizer? - perguntou a cigarra, enquanto desenhava uns rabiscos na terra seca do estio.

- Somos todas iguais; a da frente é igual à de trás ... - continuou a pequena formiga.

- Se eu estivesse naquela multidão de formigas, ainda que eu seja uma cigarra,  ninguém me notaria. - explicava a cigarra e dos seus rabiscos surgia um arco entre arvoredos - Quando tu estás naquela multidão e todas se mexem e muitas se movimentam e vêm nesta direcção, eu sei quando és tu que vens a chegar...

- Ali não é permitido distracções.- explicou a formiga. - Ali ninguêm vê.

- Sabes, por vezes também eu não consigo encontrar-me nesta multidão. - respondeu a pequena cigarra para a sua amiga formiga, enquanto no seu desenho um sol se elevava acima das frondes.

A formiga olhou o fio bulicioso das suas camaradas e fixou os seus olhos no desenho como num espelho de águas:

- Eu consigo ver-te dali. - disse, por fim.

E ficaram em silêncio.

 

 


tags:

publicado por Mnemosine às 18:29 | link do post | comentar

mais sobre mim
Abril 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
26
27
28
29
30


posts recentes

Booklovers

Versos, versos, versos,

Fernando Pessoa - Como a ...

Poema à boca fechada

Prelúdio de Natal

Íntima distância

Alma

Dom Mario Vargas Llosa

Jorge Luís Borges: Alguém...

Nona hora

links
arquivos

Abril 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

tags

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds