Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

 

 

Recentemente um jovem cientista português, dos muitos que engrossam as equipas de investigação do primeiro mundo, mas fora do país, viu o seu trabalho reconhecido por descobrir semelhanças a nível do processamento de informação entre o cérebro de macacos e o cérebro humano.  Esta notícia causou-me uma certa perplexidade, na medida em que pensei que tal já era conhecido. Leia-se aqui e aqui.

Alguns, dentre nós, que convivem de perto com animais já verificaram que até os animais têm os seus sentimentos, se assim podemos dizer. Os animais têm momentos de euforia, de depressão, de medo, de solidão. Os animais têm histórias individuais; são capazes de cobardias e actos heróicos; têm personalidades próprias e, sobretudo, observam-nos. O cão das lágrimas de Ensaio sobre a Cegueira observa-nos. A perturbadora reflexão pós-apocalíptica da humanidade em A ratazana de Gunter Grass é feita precisamente a partir da perspectiva de uma ratazana, que nos observou no júbilo e no final anunciado.

O outro é sempre um desconhecido, tanto mais verdadeiro quanto ele pertença a culturas diferentes, reinos diferentes. As ideias que constituem o nosso imaginário são resultado de doutrinas criacionistas que inferiorizam o estatuto do animal; mesmo depois de Darwin, tendemos a ver os animais como seres ao nosso serviço e não como seres que partilham a mesma casa global, ainda que alguns possam até ser vizinhos indesejáveis. Como, de resto, muitos outros vizinhos. Observe-se que duma pessoa boçal e execrada se diz que é um animal.

No entanto, os animais observam-nos. Será que é porque somos os seus mais recentes vizinhos na história natural da Terra?

Voltando à alta ciência. Investiga-se os complexos processos neurais do cerébro humano, visando futuramente a leitura de pensamentos. Talvez  esta aproximação ao cérebro do senhor macaco, nos dê a possibilidade de desmoronar esta Babel e acrescentar novos assombros às nossas histórias de Era uma vez, no tempo em que os animais falavam...

 

 

 

 



publicado por Mnemosine às 20:56 | link do post | comentar

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