Sábado, 10.10.09

 

 

A quietude dum dia de Domingo

na minha cidade.

E no, entanto, dói-me o casario visto deste lado do rio.

Impossível

quantificar a solidão que albergam estas janelas.

E a ponte, tão espectral,

como não atravessá-la,

sem pensar naqueles que pararam a meio,

abriram os braços e se lançaram num voo

sobre o rio.

 

As mãos caprichosas duma criança

edificaram esta cidade-lego,

tão burguesa de si, que esqueceu os seus marinheiros.

 

A minha cidade não vê os seus marinheiros,

quando eles estão por toda a parte.

Encontramo-los atrás 

dos seus olhos queimados de sal,

das suas barbas mal escanhoadas,

dos seus rostos vazios de esperança

nas ruas, tendo por companhia as gaivotas.

 

Invisíveis.

Por eles passam casais de namorados.

 

Penso nos marinheiros desta cidade

como se pensasse em mim.

 

 



publicado por Mnemosine às 17:09 | link do post | comentar

Quinta-feira, 23.07.09

 

A maravilha num gesto criador

Um punhado de areia,

A esvair-se da minha mão

Lentamente, grão a grão,

A cair num montinho terno,

Quase sobranceiro

Que o vento arrasa, em  fúria

 

Grãos de areia solta,

Trânsito de todas as eras

A escoar para dentro dos meus dias

Ao ritmo dos poentes

Dos ventos

 

 



publicado por Mnemosine às 11:32 | link do post | comentar

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